CAPÍTULO 07


 

    Ultimamente, minha mente estava em completa confusão. Eu simplesmente não sabia mais quem era, então me apegava a personagens. Tsuruga Ren, Cain Heel… Qualquer um serviria, desde que eu não voltasse a ser aquela pessoa que eu tanto odiava.


    Estava tudo desmoronando. A pouca sanidade que pude juntar naqueles anos estava se dissolvendo como espuma. Assustado com a forma como Kuon tomava o controle com cada vez mais freqüência, eu me empenhei em atuar de forma tranqüila o tempo todo; sem relaxar nem mesmo por um segundo.


    Naquela tarde, minha agenda estava completamente ocupada com a filmagem de um comercial para uma famosa marca de café gelado. Isso era bom. Nada de personagens problemáticos, ou mesmo algum Murasame insolente (leia-se: que se atrevia a se interessar pela Kyoko) a quem eu quisesse esganar.


    Era simplesmente interpretar um personagem superficial para uma propaganda que não duraria mais do que quarenta segundos. Era seguro. Era tranquilo. Perfeito.


    Na hora do almoço, dei de cara com Kijima-kun. Embora ele não esteja no topo da minha lista de pessoas com quem quero passar um tempo, também não era o último (até por quê ninguém conseguiria superar Fuwa Shou quanto a isso).


    Kijima tagarelava sobre doces em formato de peixe, o famoso Tayiaki, e apenas uma parte de mim prestava atenção na conversa, participando ocasionalmente com um sorriso e algum comentário qualquer. Isso durou apenas alguns minutos, pois todo meu ser se concentrou nele quando ele me dizia que ia mandar uma mensagem para Kyoko.


    Ótimo. E eu pensando que esse era um ambiente seguro! Tudo bem, ele podia enviar-lhe uma mensagem, se assim o quisesse.  Isso apenas serviria para afastar a Kyoko dele, então não havia com o que se preocupar.

 

    Que grande tolo eu fui: Kyoko não o evitou, mas sim respondeu-lhe a mensagem. Ao ver a calorosa (e colorida!) mensagem dela, encarei de esguelha o maldito doce chamado taiyaki que fora o motivo daquilo. Irracionalmente, jurei nunca comer aquilo ou até mesmo pisar no restaurante que o tinha feito.


    Obviamente, fiquei ansioso e confuso com tudo isso, mas, durante o resto da gravação do comercial eu refleti sobre o assunto e cheguei à conclusão de que se ela respondera a mensagem de Kijima, era por que não havia percebido o interesse dele.


    Kuon ficaria calmo por enquanto.


    Ainda que Kyoko não estivesse interessada por Kijima, o contrário não acontecia. Minha preocupação agora era, então, com ele. Quando o encontrei novamente, mais tarde, dei a entender que eu mesmo nutria sentimentos por Kyoko, acreditando que isso o manteria longe dela. Para isso, eu não atuei nem fingi ser outra pessoa, mas também não tinha nada de Kuon em mim.


    Satisfeito, percebi que o meu antigo eu havia se mantido completamente controlado, apesar da irritação da situação com Kijima.


    A satisfação não durou muito, no entanto.


   Eu estava no estacionamento do estúdio com os pensamentos tomados pela preocupação por Kyoko quando a vi no carro que passava por mim. Eu imediatamente acreditei que era apenas fruto da minha imaginação.


    Mas não era. Minha imaginação não faria com que ela me encarasse com aquele olhar horrorizado, ou que eu visse o olhar desafiador da pessoa que estava com ela.


    Por quê?! Por que ela estava no mesmo carro que Fuwa Shou? Que tipo de travessura do demônio faria isso acontecer? Primeiro Murasame. Depois Kijima. E agora isso… Nada menos que a última pessoa que eu queria tendo contato com ela.


    Percebi que Yashiro me encarava e lancei um olhar de esguelha para ele. Não faço ideia de qual expressão eu tinha naquele momento, pois era a última coisa com a qual me preocupava, mas pela careta que ele fez, não deveria ser muito boa.


    - Vamos. – eu disse para ele – Não vamos fazer o diretor Endou esperar mais que o necessário.


    Enquanto andava, apenas uma coisa se passava pela minha mente: eu não tinha tempo para ficar confuso, nem para procrastinar mais… Antes perder a sanidade a perdê-la.

 

    Lá no fundo, Kuon também não parecia se agradar de vê-la com outro homem.

                                                                                                     Tsuruga Ren




(Capítulo 191 do mangá de Skip Beat!)

CAPÍTULO 06



    Eu insistia para mim mesmo: você não tem o direito de interferir na vida dela, o Shou é inimigo exclusivo da Kyoko (por mais que eu o odeie) e eu não possuo o direito de me meter na conversa dos dois (por mais que ele merecesse).


    Só que insistir nisso não significava que eu me sentia capaz de dar as costas para eles quando eu sabia que ela havia entregue chocolates do dia de San Valentim para aquele homem…  Eu me limitei a observá-los de longe, com Yashiro suspirando – nas mais diversas reações – ao meu lado.

    Ficar ali me trouxe um bônus: saber que Kyoko não havia dado chocolates para Shou.

    Por um momento, a alegria de saber aquilo fora tão forte que eu simplesmente esqueci o perigo que era o homem que estava na minha frente.  Um minuto de distração e havia acontecido… Apenas um segundo, e ele a estava beijando, como se não houvesse ninguém mais naquele lugar… Como se eu não estivesse lá.


    O choque de ver aquela cena me deixou em um nível de torpor intenso, sem acreditar que algo como aquilo estivesse realmente acontecendo.

   
    Eles estavam se beijando. E pior do que saber isso era ver que ela parecia corresponder ao beijo. Não acreditava ser possível, mas uma pergunta me alfinetava: será que ela ainda sentia algo romântico por ele?

    Eu comecei a imaginar o que tudo aquilo significava:


    O primeiro beijo da Kyoko; um ato que tocaria o amor que ela sentira por ele por quase toda a sua vida… Um desafio de Shou para mim.

    De repente, aquela confusão de sentimentos explodiu dentro de mim. Ódio, tristeza, indignação… E, acima de tudo, o sentimento de posse. Naquele momento Kyoko não poderia ser de mais ninguém além de mim! Talvez esse sentimento tenha sido um reflexo da personalidade de Kuon, mas eu não me importei… Só havia algo relevante naquele momento: Shou tinha que se afastar de Kyoko!


    Eu me esqueci completamente da presença do Yashiro (ele, provavelmente, troçaria de mim pelo resto do ano) e das garotas que faziam parte do elenco de Dark Moon (elas, provavelmente, espalhariam para todo o cast que eu tinha surtado por causa do beijo deles, o que seria um pouco complicado para explicar).


    Minha mão se apertou em punho, minha mente fervilhou com idéias de como torturar Fuwa Shou…

    Então eles se afastaram… Kyoko exclamou fervorosamente sobre o que havia acontecido… Mas eu só conseguiria me lembrar com exatidão do olhar desafiador que aquele fedelho lançou para mim.


    Por muito tempo, pensar em Fuwa Shou seria o suficiente para me dar de cabeça. Mas não importa, se um dia eu surtar, não vai ser difícil descobrir onde ele mora.


                                                                                                          Tsuruga Ren

(Capítulo 145/146 do mangá de Skip Beat!)

CAPÍTULO 05

    Pode parecer meio piegas, mas eu não desejaria aquilo nem ao meu pior inimigo - e, tenham certeza, Fuwa Shou não seria uma exceção.

   

    Eu estava consciente do barulho das centrais de ar, e do tempo frio que era típico de fevereiro, mas estava deveras quente naquele “casulo” que eu fizera com os meus cobertores.


    Respirei profundamente (isso acalma, não acalma?) e a minha respiração morna simplesmente voltou para o meu rosto; a sensação claustrofóbica aumentava gradativamente.


    Por quanto tempo eu teria que aguentar aquilo? Espiei dos lençóis e vi os números vermelhos do relógio digital: 01:47 am. Sim, faltavam, no mínimo, quatro horas.


    Deitei-me ereto e tirei os lençóis do rosto, encarando nervosamente o teto branco.


    Eu poderia até tentar não pensar, mas eu estava completamente consciente da respiração calma e ritmada que vinha da cama a menos de dois metros da minha. Era como uma pessoa faminta que sentia o cheiro de comida quando ninguém mais seria capaz de sentir… E isso não é nenhuma analogia pecaminosa… Eu acho.


    Por um ínfimo momento, eu imaginei como seria poder escutá-la dormindo calmamente pelo resto da minha vida. Meus olhos observaram a silhueta coberta pelo lençol, os cabelos no travesseiro, o rosto sereno… Dei-me aquele momento de idílio. Deixei que a minha cabeça repousasse calmamente no travesseiro e permiti que meus pensamentos dançassem enquanto observava aquele rosto - Kyoko, para mim, era tão linda que fazia com que eu me sentisse um completo tolo (e talvez fosse).


    Ela suspirou profundamente em seu sono e se mexeu, ficando de costas para mim. Não esperei para ver se ela havia acordado, apenas voltei para a desconfortável zona de conforto dentro dos cobertores, prometendo a mim mesmo que esqueceria a presença dela e conseguiria dormir.


    Pois bem, o dia havia amanhecido e eu ainda estava acordado.


                                                                                                          Tsuruga Ren


  (Capítulo 160 do Mangá de Skip Beat!)

Capítulo 04

  

        Existem certas coisas que são difíceis de admitir… Mas eu também sei que, nesse universo em que você é capaz de ser vários personagens em um só, a sinceridade (pelo menos para si próprio) é essencial para que se seja capaz de reconhecer as fronteiras da própria personalidade. Por isso, é de grande importância que eu admita um sentimento sem hesitar quando sou capaz de reconhecê-lo.


       Um exemplo claro desses sentimentos que são difíceis de admitir é o que me fez começar a escrever hoje: admiração. Admitir que admiro (e até respeito) Mogami Kyoko não é fácil para mim (já que, não faz muito tempo, eu garanti que a desprezava!). Primeiramente - pode até parecer estranho - eu a admiro por ser capaz de me irritar. Pode não parecer, mas eu sou bastante presunçoso. Eu acreditava ser um homem gentil, capaz de ser agradável com alguém apesar de seus defeitos (uma pessoa como eu não pode se dar o luxo de querer perfeição)… Aí ela apareceu! E eu vi nela tudo o que eu repugnava em mim mesmo, embora não conseguisse enxergar aquilo que mais prezava: determinação, entrega, compromisso…


       Isso foi até hoje, até vê-la atuando pela primeira vez… Até ver aquele olhar calmo e gentil, sabendo que a dor em seu tornozelo era lancinante. Eu não esperava muita coisa dela (ainda que pensasse bastante no assunto), mas ver aquilo me emocionou. De repente, eu comecei a pensar que ela era alguém que valesse a pena; alguém que, com toda certeza, merecia estar naquele ramo… “Até onde ela poderia ir?”, eu queria saber.


       Mas aí, eu me lembrei do desejo de vingança, e me enfureci por pensar aquilo! Ela queria tanto assim se vingar? Ganhar de Fuwa Shou era assim tão importante?! Naquele momento, o único desejo que eu tinha era o de provar para ela que algo tão torpe como querer se vingar não seria suficiente para continuar no showbiz, e a única ferramenta que eu tinha era a minha atuação. Eu só precisava de uma única hesitação da parte dela para massacrá-la. Apenas um erro, apenas um devaneio, e ela veria que ficar ali nunca seria fácil. Infelizmente, fui eu quem me perdi no meu objetivo.


       De repente, eu estava atuando com ela; a única coisa que eu queria ver era até onde ela poderia ir, até que ponto sua atuação poderia se desenvolver… E eu a admirei por isso. O talento dela era óbvio, ainda que ela estivesse sendo manipulada pela minha atuação…


       E então ela estava lá, com a expressão vazia, cujos olhos encaravam o nada; estava a ponto de perder a consciência. Ali estava a minha resposta! A determinação daquela garota poderia levá-la até o ponto em que não poderia fazer mais nada…


       Quando ela desmaiou por causa da dor, a única coisa que eu pude pensar foi “eu queria continuar atuando com ela”. E eu realmente me senti um idiota por causa disso.

 

                  (Capítulos 12 e 13 do Mangá de Skip Beat! /Episódio 7 do anime)

Capítulo 03

     

         Eu nem mesmo sei porque estou escrevendo isso. Eu disse para o Yashiro-san que não me importava e tudo mais, mas a verdade é que aquele idiota do Fuwa Shou me irritou bastante.  


       Eu sou o tipo de profissional que prefere fazer sua parte quieto, sem criar inimizades… Eu tenho asco por qualquer pessoa que cria guerras pessoais no mundo artístico apenas para alimentar o próprio ego. Isso já é motivo o suficiente para eu nem considerar o trabalho de Fuwa Shou, mas pior do que ver aquele cantorzinho me desafiando foi notar que era por aquele tipo de pessoa que aquela “garota” estava desperdiçando o próprio tempo e o de outras pessoas…


       Sabe de uma coisa? Espero que eles consigam logo o que querem e me deixem em paz. Se Fuwa Shou está querendo tanto arranjar briga, por que, então, não vai atrás da pessoa que reamente quer brigar com ele? Façam bom proveito, os dois. 

                                                                                                     Tsuruga Ren

                       (Capítulo 8 do Mangá de Skip Beat! /Episódio 4 do anime)

 

Capítulo 02

       Já fazia algum tempo em que aquela garota não deixava a minha mente. Era incômodo ver que eu estava possuído por aquela imagem demoníaca (ainda descobrirei por que tenho essa imagem em mente toda vez que penso nela). Antes eu não sabia o porquê de ela ter se tornado tão presente em meus pensamentos (na maioria das vezes incomodava bastante notar isso); não havia razão alguma para pensar numa garota de aparência simplória e de uma energia que chegava a ser clichê, de tão exacerbada.


       “É o desejo de vingança que ela tem”, eu afirmava a mim mesmo toda vez que pensava no caso. E, talvez, eu estivesse certo sobre isso. Me irritava ver que ela queria atuar para se vingar, porque eu começava a me perguntar se não era aquilo que acontecia comigo…


       Eu comecei a atuar para provar que podia ser alguém sem a influência do meu pai… Isso é, de certa forma, um desejo de vingança, não é? Então, por que eu achava que Kyoko estava errada ao dizer que queria se vingar? Eu estaria errado também? E eu, poderia me dar ao luxo de voltar atrás?


       Não, e nem queria. Mas também não gostaria de ver que aquela garota estava seguindo aquele caminho de redenção (e pecado) para poder se vingar. Nós não deveríamos escolher nosso futuro de tal forma… Ainda que seja deveras incoerente (pelo menos, para mim) dizer isso.

                                                                                                                Tsuruga Ren


                       (Capítulo 2 do Mangá de Skip Beat! /Episódio 2 do anime)

Capítulo 01


       Eu atuei como escritor, certa vez. E lembro que achava o personagem fascinante, já que ao interpretá-lo eu comparava sua profissão com a minha própria, a de ator – com a única diferença da quantidade de personalidades que deveriam ser controladas.  O fato é que esse personagem escrevia a sua loucura, ao mesmo tempo em que enlouquecia pelo que escrevia… Um personagem que marcou minha carreira – e minha vida, ousaria dizer.


        Numa reunião feita para discutir sobre o roteiro, eu fiquei completamente absorto com uma fala que o meu personagem deveria proferir: “A verdade é que minha mente é povoada por demônios, que só me deixam quando eu os passo para o papel”. Lendo aquilo, eu pude entender melhor o porquê de a atuação ser tão importante para a manutenção da minha sanidade… E foi incrível descobrir, também, que escrever poderia ser uma forma mais rápida de me livrar do que me atormentava.


       Queria eu saber disso alguns anos atrás… Agora só me resta usar isso para me livrar dos demônios que eu encontrar daqui para a frente.

                                                                                                              Tsuruga Ren

O Diário de Tsuruga Ren

Esse blog surgiu de uma ideia de um dos fansubs que traduzem Skip Beat (O Skip Beat BR).

“O que o Ren realmente estaria pensando naqueles momentos mais tensos do mangá?”, era isso que queríamos saber… Bem, nós nunca saberemos, mas podemos tentar descobrir. =D

A organização do blog ficou ao encargo da Bell (que, aliás, é a boss do Skip Beat BR ;D).

Eu (Ladie) fiquei encarregada de escrever essa bagaça.

O Wateru é o beta-reader, e fará suas vezes de escritor.

Quem quiser ajudar em algo, ou tiver uma ideia, não hesite em falar!

Por enquanto, vamos aproveitar essa viagem pela mente do ator Tsuruga Ren.